Grupo AFLECHA.

Fundado em 2005, Porto Alegre. Aflecha é um grupo de gravadores que privilegia a matriz em metal. Desde sua fundação dedica-se à realização de álbuns de gravura e mini-livros que ilustram contos de autores brasileiros.

Foi vencedor do I Prêmio Açorianos de Artes Plásticas em 2007 na categoria Destaque em Projeto Alternativo de Produção Plástica.

Também vencedor, juntamente com a Gráfica ANS, do Prêmio de Excelência Gráfica, em 2007, pela publicação do mini- livro Quinta de São Romualdo, conto de Simões Lopes Neto.

Em 2007 participou do ESSA POA É BOA, com mais de 50 artistas convidados, com o projeto M’Boitatá, obra de 25m em tecido com armação de arame com técnica semelhante à xilogravura, sobre o conto/lenda homônimo do mesmo autor.

Em 2008, entre outros projetos desenvolvidos, expôs no Gasômetro na sala Iberê Camargo, Álbuns de Porto Alegre  com apresentação das obras de 2006, 2007 e lançamento do álbum 2008.

Em outubro/novembro do mesmo ano, expôs o Projeto Trinca , no MARGS, POA. Apresentação dos mini-livros: A 3ª margem do rio, conto de Guimarães Rosa; Idéias de Canário, conto de Machado de Assis e o já citado conto de Simões Lopes Neto.

Em 2009 aparece com 3 indicações para o lll Açorianos pelos projetos desenvolvidos em 2008.

 

 

O MINI-LIVRO DE SIMÕES LOPES NETO

A escolha do conto QUINTA DE SÃO ROMUALDO,  selecionado  do livro Casos do Romualdo, editado postumamente em 1952, se deu pela importância do autor na literatura rio-grandense. Pode se dizer que Simões Lopes Neto abriu caminho para muitos na Literatura brasileira. Sua literatura ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Sul e do Brasil e hoje pertence à literatura universal, tendo sido traduzido para diversas línguas.

Simões Lopes Neto só alcançou a glória literária postumamente, em especial após o lançamento da edição crítica de Contos Gauchescos e Lendas do Sul, em 1949, organizada para a Editora Globo, por Augusto Meyer e com o decisivo apoio do editor Henrique Bertaso e de Érico Veríssimo.

  Além deste livro, o pelotense publicou: Cancioneiro Guasca; Contos gauchescos e Lendas do Sul e o também póstumo Terra Gaúcha.

 

A riqueza de imagens do Quinta de São Romualdo, o registro histórico dos hábitos e da prosa local e também o fato de ser um texto curto foram determinantes da nossa escolha.

Manoelito de Ornellas ao encerrar um ensaio sobre Simões Lopes Neto, disse:

“Na obra de Simões Lopes Neto está o Rio Grande do Sul no conjunto de todas as suas virtudes negativas e positivas”.

 

Mini-livros existem muitos, mas o Grupo Aflecha pensou em arte e literatura e com o resultado primoroso deste primeiro  livro,  a aceitação do público e dos admiradores da calcografia,  o Grupo partiu para  mais dois mini-livros.

Com seus três livros  pequenos, mas preciosos em literatura e arte, fez uma grande exposição no MARGS durante a 54ª Feira do Livro de Porto Alegre. 

Nesta exposição da TRINCA, numa mesa redonda aberta ao público, o Aflecha apresentou detalhes da técnica de Calcografia – gravação em matriz de metal - e também da confecção dos mini-livros; a filósofa Kathrin Rosenfield e a professora, doutora em Letras, Márcia Ivana de Lima e Silva discorreram sobre os autores.

Kathrin Rosenfield, em sua explanação se referiu assim aos livros: “Acontece algo desconcertante e maravilhoso com essas histórias emblemáticas, quando, insuspeitadamente, podemos carregá-las na palma da mão, olhando-as de outra maneira... através das gravuras e através da preciosa concha de um livro liliputiano.” Disse ela ainda que os pequenos livros d’Aflecha deram volume e sabor todo especial a três contos clássicos da literatura brasileira.

A terceira margem do rio de Guimarães Rosa levou o Aflecha a navegar pelas águas das Gerais.

Foi publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais de junho de 2008 o artigo Dez Apontamentos a Lápis Nas Margens da Terceira Margem, de Paulinho Assunção e outro escrito pelo Aflecha  acompanhado de gravuras do Grupo.

O mini-livro com o conto Idéias de Canário de Machado de Assis, teve um ponto extra, foi editado na grafia original do livro de contos Páginas Recolhidas de 1939.

 

Por si só os livros são especiais, mas um detalhe faz a diferença: cada exemplar é único, pois os artistas criaram doze ou mais gravuras, o que resultou numa combinação exclusiva em cada um.

Cada mini-livro tem edição de 200 exemplares numerados e as imagens assinadas pelos artistas.

A professora Márcia Ivana de Lima e Silva participando da mesma mesa redonda falando do conto Ideias de Canário, usou as palavras do autor, Machado de Assis, que nos diz:  "qualquer artista pode ir buscar a especiaria alheia, mas há de ser para temperá-la com o molho de sua fábrica”. E é exatamente isso que o grupo Aflecha faz: partindo das especiarias literárias do mestre, temperam com o molho de sua gravura e nos apresentam um mini-livro de uma obra gigante.

 

Ficha técnica dos mini-livros 

 Os mini-livros têm capa de couro de porco tingido em grená, medindo 5,5x 5,5 x 2 cm, pintura de lombada manual, separador de páginas, clichê com relevo seco – é composto, além dos textos, de ilustrações dos integrantes d’Aflecha. Cada livro tem em média sessenta páginas e nove gravuras em metal, originais e assinadas. Os textos foram compostos em gráfica, mas as gravuras são impressas a mão, individualmente.

Depois de feitas as gravuras, eles são encadernados manualmente. Nesta fase, ele é costurado e recebe uma capa de couro, papel marmorizado na contra capa, filete dourado na borda das páginas, marcador de páginas e uma caixinha, também de couro. A TRINCA, os três livros reunidos, vem numa caixa no mesmo estilo das individuais.

O grupo AFLECHA, de Porto Alegre, é formado pelos seguintes artistas:

Cylene Dallegrave, Eda Lani, Lília Manfroi, Mabel Fontana, Marcos Sanches, Márcia Tiburi, Maria Tomaselli. Outros artistas participaram da sua formação em anos anteriores: Eliane Santos Rocha, Paulo Olszewski e Rodrigo Pecci.